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Crédito habitação em 2026: Euribor, taxa fixa ou variável — o que escolher?

A decisão de comprar casa é uma das mais relevantes que vais tomar. Mas há uma segunda decisão, quase tão importante, que muita gente toma depressa demais: que tipo de taxa de juro escolher para o crédito.

Taxa variável, taxa fixa, taxa mista. Euribor a subir ou a descer. Spread baixo ou alto. É muita coisa ao mesmo tempo — e a maioria das pessoas aceita o que o banco propõe sem perceber o que está a assinar.

Vou explicar o que mudou em 2026, o que podes esperar da Euribor e como pensar esta decisão de forma inteligente.

O que é a Euribor e por que importa?

A Euribor (Euro Interbank Offered Rate) é a taxa de juro média praticada pelos principais bancos europeus entre si. Em Portugal, a grande maioria dos contratos de crédito habitação está indexada a esta taxa.

A tua prestação mensal, numa taxa variável, é calculada assim:

Prestação = Euribor + Spread

O spread é a margem do banco — negociado quando contratas. A Euribor é variável — muda com a política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e revisa a tua prestação a cada 3, 6 ou 12 meses, consoante o prazo a que está indexada.

Onde está a Euribor em 2026?

Em 2025, o BCE fez quatro cortes nas taxas de juro de referência, terminando o ano com a taxa de depósito nos 2%. Em 2026, o cenário mudou: as previsões dos analistas apontam para estabilização, com possíveis pequenas oscilações, mas sem cortes adicionais expressivos no horizonte próximo.

Concretamente:

A Euribor a 3 meses situou-se em torno dos 2% no início de 2026, com ligeiras variações A Euribor a 12 meses registou subida em abril de 2026, situando-se nos 2,75%, com tendência de aumento

O que isto significa na prática: a Euribor não é o "monstro" que era em 2022-2023, quando disparou acima de 4%. Mas também não voltou aos valores negativos de 2021. Estamos num nível médio, com incerteza sobre a direção futura.

Taxa variável: vantagens e riscos

Como funciona: a tua prestação é revista periodicamente (a cada 3, 6 ou 12 meses) com base na Euribor desse período, mais o spread fixo do teu contrato.

Vantagens:

Spread geralmente mais baixo que na taxa fixa (os bancos cobram menos pela incerteza que transferem para ti) Se a Euribor descer, a tua prestação baixa automaticamente Comissão de amortização antecipada mais baixa: 0,5% sobre o capital amortizado

Riscos:

Se a Euribor subir, a tua prestação sobe — sem aviso, sem negociação Difícil de planear o orçamento familiar a longo prazo Em 2023, quem tinha taxa variável viu as prestações subir 40-50% num ano

Para quem faz sentido: quem tem margem financeira para absorver subidas de prestação, ou quem acredita que a Euribor vai descer nos próximos anos.

Taxa fixa: previsibilidade a um custo

Como funciona: a taxa é fixada no contrato e não muda durante o prazo acordado (habitualmente 5, 10, 15, 20 anos ou o prazo total do empréstimo).

Vantagens:

A prestação é sempre a mesma — sem surpresas Facilidade de planeamento orçamental Proteção total contra subidas da Euribor

Riscos:

Spread geralmente mais alto que na variável — o banco cobra-te pelo conforto da previsibilidade Se a Euribor descer, não beneficias dessa descida Comissão de amortização antecipada mais alta: até 2% sobre o capital amortizado Pode ficar cara se a Euribor baixar muito nos próximos anos

Em 2026, os bancos praticam taxas fixas tipicamente entre 3% e 3,5% para prazos de 5 a 10 anos.

Taxa mista: o meio-termo que cresceu em popularidade

Como funciona: num primeiro período (habitualmente 2, 5 ou 10 anos), a taxa é fixa. Depois, passa a variável — indexada à Euribor.

Porquê está a ganhar terreno em 2026: dá estabilidade inicial — quando o impacto financeiro da compra é maior — e mantém flexibilidade para o futuro, apostando que as condições de mercado serão diferentes daqui a 5 ou 10 anos.

O risco: quem contratar uma taxa mista de 5 anos pode chegar ao período variável precisamente quando a Euribor está num máximo. Não há proteção garantida.

Spread: o que é e como negociar

O spread é a componente fixa da taxa que o banco define para o teu contrato. Em 2026, com a procura de crédito a recuperar e os bancos competitivos, os spreads praticados situam-se tipicamente entre 0,60% e 1,20%, dependendo de:

LTV (Loan-to-Value): quanto maior a percentagem financiada, maior o spread. Quem dá mais entrada paga spread mais baixo Taxa de esforço: perfis mais sólidos negoceiam melhores condições Produtos associados: seguros, domiciliação de salário — os bancos usam estes elementos para baixar o spread. Lê a letra pequena antes de aceitar

Conselho prático: compara propostas de pelo menos 3 bancos. O que o teu banco de sempre propõe raramente é a melhor oferta do mercado.

Um exemplo concreto

Casa de 250.000€, empréstimo de 225.000€ (90% do valor), prazo de 30 anos:

CenárioTaxa anualPrestação mensalVariável (Euribor 3m 2% + spread 0,8%)2,8%~923€Fixa a 10 anos3,3%~984€Variável se Euribor sobe para 3%3,8%~1.049€Variável se Euribor desce para 1%1,8%~810€

A diferença entre o melhor e o pior cenário pode ser mais de 200€/mês — 2.400€/ano. Num prazo de 30 anos, isso é dinheiro muito sério.

O que dizes ao banco antes de assinar

Antes de assinar qualquer contrato, tens de saber responder a estas perguntas:

Qual é o spread exato e por quanto tempo é garantido? A que prazo de Euribor está indexado? (3, 6 ou 12 meses — quanto menor, mais frequentes as revisões) Qual é a TAEG (Taxa Anual Efetiva Global)? Esta inclui todos os encargos — é o número que permite comparar propostas de forma justa Quais são as comissões de amortização antecipada? Os seguros são obrigatórios? Qual o custo e podes mudá-los depois? Existe período de carência ou começas a pagar capital desde o início?

A decisão certa depende do teu perfil

Não existe uma resposta universal. Depende de:

A tua estabilidade de rendimento: se tens rendimento variável ou irregular, a taxa fixa dá-te mais segurança O teu horizonte temporal: se planeas vender ou amortizar nos próximos 5-7 anos, a taxa variável pode ser mais vantajosa A tua tolerância ao risco: se uma subida de 200€/mês na prestação te vai criar problemas reais, não escolhas variável As tuas poupanças: ter reserva para absorver eventuais aumentos de prestação muda completamente a equação

Conclusão

Em 2026, a Euribor está estabilizada mas não é previsível. Os spreads estão competitivos. As opções são mais variadas do que nunca.

O erro mais comum que vejo: aceitar a primeira proposta do banco, sem comparar, sem negociar, sem perceber o que está a ser assinado.

Se estás a processar um crédito habitação e não tens a certeza de qual a opção certa para o teu caso, fala comigo. Não financio, não assessoro crédito — mas oriento-te para as perguntas certas e recomendo intermediários de crédito certificados que fazem esse trabalho a custo zero para ti.

Susana Silva | Consultora Imobiliária Remax Pro 📍 Porto | @susanalsilva Este artigo tem caráter informativo e não constitui assessoria financeira. Para simulações e comparação de propostas, recorre a um intermediário de crédito certificado pelo Banco de Portugal.

Autor:Susana Lopes da Silva
Atualizado:13.6.2026
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Crédito habitação em 2026: Euribor, taxa fixa ou variável — o que escolher? | Susana Lopes da Silva